Os transtornos de ansiedade são uma das doenças mais frequentes na população mundial. Mais especificamente em nosso meio, segundo um estudo realizado pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, o São Paulo Megacity Mental Health Survey (http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462009000400016), estima-se que cerca de 20% da população da cidade apresenta algum tipo de transtorno de ansiedade. Isso significa que, apenas na cidade de São Paulo, mais de 2.250.000 pessoas são acometidas por essa doença. Tendo em vista as inúmeras repercussões negativas que a ansiedade clínica, aquela que requer tratamento específico, causa sobre a saúde mental e o organismo como um todo, é fácil imaginar o impacto que essa doença gera do ponto de vista da saúde pública e até mesmo à economia, já que grande parte dos indivíduos acometidos estão em plena fase produtiva e são responsáveis ou contribuem para o sustento de suas respectivas famílias.
A saúde coletiva, a despeito de sua óbvia importância não é, no entanto, o nosso foco. Dados epidemiológicos como o citado acima são fundamentais para a adoção de políticas de natureza preventiva que permitam o manejo do problema pela perspectiva do administrador de saúde nos âmbitos municipal, estadual e federal. Contudo, diante do grande sofrimento que a ansiedade clínica causa, faz sentido discutir esse assunto no âmbito do indivíduo, já que, se a ansiedade clínica se instalou, provavelmente, as medidas de ordem preventiva não conseguiram cumprir integralmente esse papel.
Para compreender corretamente o que é ansiedade clínica, aquela que necessita de intervenção especializada devido ao comprometimento funcional, é importante caracterizá-la em suas diversas formas de manifestação. Obviamente, a ansiedade das crianças na véspera do Natal ou do aniversário em receber o tão esperado presente nada tem a ver com a ansiedade clínica, aquela que necessita de tratamento. Contudo, embora nesse exemplo a distinção seja bastante clara, em muitas situações, é difícil fazer essa diferenciação. Dessa forma, como decorrência da falta de informação, muitos pacientes deixam de buscar tratamento. Porém, além do desconforto criado pelos sintomas da ansiedade, é bastante importante lembrar que essa doença é fator de risco para a ocorrência ou para o agravamento de muitas outras doenças.
De maneira semelhante ao que foi discutido com relação à depressão, o diagnóstico dos transtornos de ansiedade é clínico (depende exclusivamente do exame do psíquico realizado pelo psiquiatra), de maneira que os exames subsidiários funcionam apenas como uma maneira de descartar outras doenças identificar comorbidades (coexistência de outras doenças físicas ou mentais).
O tratamento dos transtornos de ansiedade depende do tipo e da intensidade dos sintomas. Os quadros caracterizados por sintomas muito intensos podem necessitar de medicamentos tanto para controlar as crises nas quais a ansiedade surge com mais força como para a estabilização desse controle e prevenção de novas crises. De qualquer forma, invariavelmente, todo tipo de ansiedade se beneficia pela realização de psicoterapia em suas mais variadas modalidades e pela adoção de hábitos de vida saudável que incluem o cuidado com a alimentação e a prática regular de atividade física.
Para sistematizar a caracterização da ansiedade clínica, apresentarei nos tópicos seguintes os tipos clássicos de ansiedade:
- ansiedade generalizada
- fobias
- pânico
- transtorno obsessivo-compulsivo
- transtorno de estresse pós-traumático